Sobre
O curso “Escritas de si como prática de atuação” parte da pergunta “De qual lugar pode o ator falar?” num tempo em que a arte revisita criticamente práticas normativas e universais, de matriz colonial. Ao tomar o “si” como lugar histórico e simbólico, a proposta desloca o trabalho de atuação do regime clássico da representação do ator, centrado na composição de personagens, para o campo da fala e da experiência. O trabalho convida atores e criadores da cena a desnaturalizar a neutralidade, reconhecer os efeitos da fala e repensar a atuação como prática ética e estética. O trabalho propõe um percurso de investigação sobre modos de presença que desestabilizem regimes de invisibilidade e abram outras possibilidades de existência. O enfoque é prático, organizado a partir do levantamento e do compartilhamento de materiais cênicos mobilizados por práticas de escrita e atuação desenvolvidas ao longo do curso.
CRONOGRAMA
SEMANA 1 – O LUGAR DA FALA
Eixo: De qual lugar pode o ator falar, quando as ficções de universalidade entram em
colapso?
Sábado (Presencial)
• Abertura do curso a partir da pergunta central.
• Apresentação do percurso e das questões que orientam o trabalho: crise da
neutralidade, reconfiguração dos critérios de legitimidade e deslocamento das
condições de presença na cena.
Domingo (Presencial)
• Disparadores cênicos a partir da pergunta central.
• Práticas de reconhecimento do corpo e da linguagem como lugares situados.
• Constituição dos primeiros materiais de enunciação.
Encontro Online (noite, durante a semana)
• Elaboração crítica dos materiais iniciados.
• Orientações para aprofundamento dos fragmentos.
SEMANA 2 – CONDIÇÕES DE PRESENÇA
Eixo: Quem pode aparecer? Sob quais pactos?
Sábado (Presencial)
• Desenvolvimento dos fragmentos iniciados.
• Trabalho sobre endereçamento e interlocução.
Domingo (Presencial)
• Investigação da relação entre experiência e forma.
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• Compartilhamentos internos e reorientação dos materiais.
Encontro Online (noite, durante a semana)
• Discussão sobre representação, legitimidade e redistribuição da palavra na
cena contemporânea.
SEMANA 3 – DESLOCAMENTO E DESIDENTIFICAÇÃO
Eixo: A fala como intervenção no campo do sensível
Sábado (Presencial)
• Reescrita e reorganização dos fragmentos.
• Ajuste das condições de enunciação.
Domingo (Presencial)
• Consolidação dos materiais.
• Definição dos fragmentos para compartilhamento.
Encontro Online (noite, durante a semana)
• Acompanhamento individual e orientação final.
SEMANA 4 – ENCERRAMENTO DOS PROCESSOS
Sábado (Presencial)
• Práticas de consolidação dos fragmentos.
• Ajustes de ritmo, endereçamento e relação com o espaço.
Domingo (Presencial)
• Compartilhamento dos fragmentos desenvolvidos ao longo do curso.
• Conversa final sobre o percurso e encerramento coletivo.
Informações
Carga horária: 33 horas divididas em oito encontros presenciais de 3h e três encontros online de 3h.
Público-alvo: Atores, atrizes, diretores, diretoras e interessados em atuação.
Endereço: Rua Cajaíba, 170 - Pompéia
*alunos que moram fora da cidade onde será realizado o curso entre em contato com a iNBOx antes de comprar passagem e hospedagem
Investimento
Investimento
5x R$240 ou à vista R$1.140
- à vista via PIX com 5% de desconto com cupom PIX5
- em 5x sem juros ou em até 12x com as taxas do cartão
João Bernardo Caldeira e Helena Vieira
João Bernardo Caldeira é diretor teatral, pesquisador e dramaturgo. Doutor em Artes
Cênicas pela ECA-USP, desenvolveu a pesquisa Derrocada do sujeito universal e
reflorestamento de existências: teatros de falas, na qual investiga os deslocamentos
éticos, estéticos e políticos da atuação e da representação no teatro contemporâneo.
Sua prática artística articula criação cênica, escrita, crítica cultural e reflexão teórica,
com especial atenção às questões de linguagem, enunciação, presença e
responsabilidade da fala em cena. Entre seus trabalhos recentes, é diretor, coautor e
produtor do espetáculo Ideias para adiar o fim do mundo, inspirado na obra de Ailton
Krenak. Idealizou e produziu a peça Para meu amigo branco, criada a partir do livro de
Manoel Soares.
Helena Vieira é intelectual transfeminista, dramaturga, escritora e gestora cultural, com
atuação reconhecida no debate contemporâneo sobre arte, política e diversidade. Sua
produção articula estudos culturais e práticas artísticas, com incidência nas discussões
sobre representação, linguagem, memória e poder. Integra a equipe curatorial da
programação Olhares Críticos da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp) e
participou de processos criativos de espetáculos de diretores como Márcio Abreu e Yara
de Novaes. Foi uma das criadoras de Jango Jezebel: Onde estavam as travestis na
ditadura?, apresentado no Memorial da Resistência de São Paulo, e participou da
criação de Psicopatia Sexualis, que investiga as relações entre saber médico,
normatividade sexual e performance, a partir da obra de Richard von Krafft-Ebing.
Integra o conselho consultivo do Teatro de Arena Eugênio Kusnet (SP).

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