Workshop  “A POÉTICA DO ATOR”  no cinema

Com Luiz Mario Vicente

De 25/2 a 27/2 

Das 16h às 22h

Investimento R$ 480,00

Inscrições pelo e-mail oficinatreinamentodeatores@gmail.com

Luiz Mario Vicente tem 34 anos de carreira artística. É ator, diretor de teatro, preparador de atores para cinema e TV, professor e Coach. Início como ator, mas já aos 17 anos dirigiu para o teatro uma adaptação da vida e obra do poeta francês Arthur Rimbaud. Durante os anos seguintes acumulou experiências em diversas linguagens como teatro de animação, teatro dança, carnaval (coreógrafo de comissão de frente), rádio, encenações, projetos em arte-educação e lecionou interpretação por mais de vinte anos. Após a vivência acadêmica tem seu grande aprendizado no CPT de Antunes Filho onde foi ator, assistente de direção e professor. A diversidade de atuação e a observação das múltiplas relações o encaminhou para o processo laboratorial com o ator, em cinema e TV. O curso natural das excelências adquiridas originou um olhar sensível pela verticalização da atuação, desenvolvendo processos únicos na preparação que estabelecem diálogos próprios e diferenciados para cada ator, filme e espetáculo. Costuma dizer que possui “vários métodos”. E que o melhor deles é aquele que se encaixa como uma luva ao projeto e ao ator que tem a sua frente. É hoje um dos preparadores de atores do Brasil mais requisitado. Seu primeiro grande trabalho no cinema como preparador foi o filme “Querô. Nele Luiz preparou atores profissionais e vários jovens tendo o protagonista, aos 16 anos, arrebatado na sua primeira experiência diversos prêmios como melhor ator pelo Brasil. Além deste, outros trabalhos no cinema são: “Que horas ela volta? ”; “O Roubo da Taça”; “Trinta”; “Bingo - O Rei das Manhãs”; “Terra Vermelha”; “Entre Vales”; “O Magnata”; “Depois de Tudo”; “A Voz do Silêncio”; “Legalize Já”; “Califórnia”; “O Outro Lado do Paraíso”; “Nada a perder”. E na TV as séries: “Unidade Básica”; “Cidade dos Homens”; “Fora de Controle”; “Meus dias de Rock”; “E aí, comeu? ...”; a novela Paraíso (Globo); entre outros. Ao todo acumula mais de quarenta trabalhos em preparação de atores. Foi preparador, coach e diretor de cena para os atores: Matheus Nachtergaele, Marcelo Adnet, Marieta Severo, Taís Araújo, Du Moscovis, Ícaro Silva, Renato Góes, Vladimir Brichita, Marcos Palmeira, Paola de Oliveira, Leandra Leal, Danilo Grangheia, Paulo Vilhena, Petrônio Gontijo, Maxwell Nascimento, Emanuelle Araújo, Paulo Tiefenthaler, Camila Márdila, os atores argentinos Marina Glezer e Ricardo Merkin, Rômulo Estrela, Thiago Mendonça, Priscila Sol, Dani Calabresa, Dalton Vigh, Murilo Rosa, Karine Telles, Mônica Iozzi, Milhem Cortaz, Arlindo Lopes, Vanessa Giácomo,  Maria Lúcia Torres, Simone Iliescu, Fabrício Boliveira, os atores italianos Nicola Siri e Claudio Santamaria, Maria Luiza Mendonça, Juliano Cazarré, Ailton Graça, Caio Blat, Caco Ciocler e muitos outros.

Por este princípio é que conduzo todos ao workshop “A POÉTICA DO ATOR NO CINEMA”

Esse "eu" são vários "outros". Resta então o desregramento de todos os sentidos, tal qual o poeta, para tornar-se vidente ou o dissecador silencioso de almas. De “verdadeiras outras almas”.

Buscar na quintessência de seu íntimo os impulsos que o drama ficcional necessita. Permitir a si próprio que todo acumulo de repertório do ator (e este é fundamental para o abandono cego em sua escuridão) ecoe por seus canais de expressão. Abandonar-se para depois reencontrar-se num estado alterado de consciência, então plena, de suas capacidades funcionais artísticas.

Esse caos imediato é resultado da busca em ser vidente, poeta, ATOR. Ver o invisível para então nominar os novos estados e as novas sensações que sempre foram nossas e bastavam apenas serem ouvidas.

O Ator Poético não tem apego pelo que produz. Cria e abandona com sabedoria do novo diante de si. Não olha para as coisas como elas são. Vê através de um mistério, único e arrebatador.

No mais, ter fé nisso, não significa entendimento. Apenas revela um caminho para o prazer em sempre ser "eu-outro". Do natural e da sua natureza primária e sábia.

“A Poética do Ator” longe de ser um método de atuação é base de um princípio de intenção. Um passo, uma tentativa em buscar uma quintessência mais visionária, aflorada, intuitiva e que, fisicamente, possa compreender além da racionalidade cotidiana. Ser ator é ser outro. E ser esse "outro", no cinema, é ser mais humano do que nós geralmente somos. 

(Luiz Mario Vicente)

 

  • WORKSHOP

O conhecimento é infinito, sempre em movimento. A cada dia existem novos encontros que são determinantes em nossa profissão. Atuar é viver. Viver é presente, e uma imagem do presente nos faz pensar numa imagem ausente. É essa a chave para o estar por completo em cena: o paradoxo do ausente imensamente presente.

A “Poética” aqui estudada representa o envolvimento integral do ator, atingindo a sua alma e ultrapassando os processos de racionalidade compreensiva e assim trazer à plena luz uma tomada de consciência e de um maravilhado pelas coisas e encontros. Uma inversão do ser, na vida e na cena.

Um despertar ao extremo daquilo que somos, que queremos ser e que nunca seremos. Para isso os atores serão colocados em situações que exijam o máximo de suas potencialidades. Exposição e quebra de paradigmas. Pois somente assim, creio e tenho fé, saberemos onde estamos neste mar poético que é o ser. 

Uma observação: é saudável e recomendado, a quem se interessar possa, que venha preparado/despreparado para o inusitado, ou seja, não ocultar suas precariedades e nem ter medo da escuridão.

 

Dar as imagens o verdadeiro valor que elas possuem. E como? Por exemplo: escolhe uma palavra. Fica com ela. E verá que um mundo se abrirá sob seus pés. Por isso não é um método. Nem sistema. É um provocar.

Alimentando nossas capacidades com as infinitas interferências que provem, desde a palavra e vai até o silêncio. Com isso poder ampliar os canais sensíveis que precisam se manter ativados sempre. Não há, para o ator Poético, o inócuo das frágeis repetições a que somos solicitados o tempo todo. É um estado constante de arrepio e que deve ser controlado pelo ator. A poesia e a poética são sensações, que são imagens, que é corpóreo, que é estranho e é, por parecer incomodo, gera a vida em cena. Mesmo que o texto (falado ou silenciado) esteja, aparentemente, distante de nós. 

Vamos passar, nesse nosso encontro, por um intenso e cansativo trabalho de descongestionamento da cegueira e surdez artística. Sem esse esforço nada acontecerá.




 

O poder imagético do que existe ao nosso redor, no nosso interior será provocado, ou melhor, deverá ser provocado por vocês até que transborde pelos nossos sentidos o sumo necessário para o encontro entre os “eus”.

Entrega visceral aliada a um estudo consciente das ações. Afinal quem precisa estar no comando é o ator e a atriz. E na hora da “ação” poder apenas ter o prazer em flutuar.

Por fim a constante alteração do nosso organismo celular não nos permite acreditar no congelamento de nosso corpo, de nosso pensamento e de nosso imaginário. 

O processo proposto consiste em atingirmos o lugar, orgânico, mais genuíno e profundo da atuação. E o silêncio brutal do nosso corpo é que nos levará até lá.

O workshop propõe o desafio: a escuta desse silêncio. Do seu, do outro, do roteiro, da ação. Praticarmos o sutil desregramento dos sentidos para, então, reestruturarmos na veracidade da cena, nos diálogos. Aos roteiristas couberam as palavras; aos atores o encontro com o silêncio doidivano.